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"Era um menino bem pequenininho..."


O momento era de tristeza. A dor era inevitável. E ele sabia exatamente o que estava acontecendo. Era tudo muito estranho e indesejável. Um momento que ele tinha os seus a chorar, vendo reunirem-se a resolver algo aparentemente importante à todo momento. Mas, ele sabia exatamente o que estava acontecendo e agia naturalmente como se nada tivesse acontecido e acontecendo. Sentia uma dor que nunca sentira e o fazer as coisas naturalmente era a forma de lidar com a situação. Para qualquer outro, o lembrar do passado e de coisas ruins feitas seria normal e até natural, mas para ele, isso não era levado em consideração, pois não tinha nada a ser lembrado de ruim. Só tinha coisas boas para lembrar de seu avô.
Ele passou o ato fúnebre todo lidando, da sua forma, com sua tristeza e quase não foi percebido. No entanto ele estava sentindo sua tristeza e a tristeza de sua mãe, de seus tios, de todos os seus. Sentia de uma forma pura, com a presença do medo, da certeza de não estar mais com aquele que nunca proferiu uma palavra sequer que o entristecesse. Sim, ele estava triste. Ele sentia. E sabia exatamente o que acontecera. “Nunca mais vou vê o meu avô”. Disse.
Momentos antes da saída do funeral, ele catava um tipo de capim e guardara nos bolsos. Muitos não perceberam, muitos não entenderam, outros viram normalidade em tudo aquilo. Porém, o que se viu foi de emocionar:
No momento do último ato de despedida de seu avô, com todos quase se retirando para continuarem suas vidas, ele tira os capins guardados nos bolsos e, com a simplicidade de criança que tem, começou a plantar no túmulo cada capim como se fossem flores, sob lágrimas copiosas de tristeza e dor, sem se importar de sujar de terra, as mãos, as pernas. Queria apenas despedir-se, pois, sabia exatamente o que estava acontecendo. E aquelas “flores” eram a marca do seu momento, a sua forma de agradecer a presença agradável de uma pessoa amada da forma mais pura que existe: o amor de uma criança.


Sua tristeza foi relatada em toda a viagem de volta. Através de seu choro que o levou ao cansaço e ao sono; Através de palavras tocantes após o despertar: “eu nunca vou esquecer o meu avô”; Através de todas as lembranças que vinham à sua memória na caminhada até sua casa: “Sempre vou lembrar do presente (uma filhote de jabuti) que ele me deu”; “Vou sempre me lembrar dele”. Finalizou.

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