A matéria é de um jornal mundialmente famoso. Dan Castro , com meros 22 anos de idade, buscava um "lugar ao sol" no mercado de trabalho, mas era apenas um emprego temporário, e ele se esforçou tanto que acabou vivendo uma de suas maiores aventuras. Angie Castro achou tão interessante a história que quis ouvir completa.
O ano era 2000 e a transição do irresponsável Danglers Castro para o homem responsável requerera uma busca pelo próprio sustento e uma vida mais independente. Assim, a ideia de concorrer à vaga de recenseador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE foi meio que involuntária, pois ele precisava trabalhar. Classificar em 155ª lugar não importou muito para o seu ego, que aliás, o desemprego já tinha levado para baixo há tempos. O que importava naquele momento era ganhar algum dinheiro. O esforço foi muito grande, a dedicação nos treinamentos se multiplicou com o recebimento da ajuda de custo num valorizado R$ 50,00 da época. A grana começara a chegar aos seus bolsos.Mal sabia ele que a próxima grana só viria dois meses depois.
Começado os trabalhos de recenseador, escolheu a área onde ele morava para trabalhar. O prazo era 30 dias para o término do recenseamento daquela área e a pressão do supervisor fazia sua atenção ser total no trabalho. Terminado 10 dias antes do prazo, o trabalho foi bem sucedido e a gerência viu isto. Primeiro o pôs para ajudar outros recenseadores que estavam com dificuldades. Depois, lhe propuseram recensear áreas no interior do Amazonas. A proposta foi aceita de "bate e pronto". Não só pela ajuda de custo que receberia (mais ou menos R$ 150,00), mas também pelo fato de áreas rurais terem valor dobrado no contra-cheque do recenseador. E assim o foi. A Dan foi entregue um mapa da localidade ribeirinha do Rio Preto da Eva. Lugar lindo com rios por todos lados e muitos peixes para pescar e comer assado. Entrevistar cada morador ribeirinho foi interessante pela receptividade ao recenseador e o crédito dado pelos moradores à instituição IBGE. Em certa comunidade ele foi convidado a jogar aquele futebol de fim-de-tarde no gigantesco campo de futebol daquela localidade. A atenção no trabalho foi tanta que o prazo de execução era de 15 dias, porém, foi finalizado em incríveis 8 dias.
A gerência do IBGE viu isso. O trabalho estava sendo fora do comum. Prazos estavam sendo reduzidos e isso era bom. O retorno antes do tempo representou prejuízo apenas para as diárias do dono do barco alugado (ele não gostou muito). A comunidade ribeirinha do Rio Preto já era passado. De volta à Manaus, a agilidade nos trabalhos executados na cidade de Manaus e no interior não deu alternativas à coordenação do Censo 2000 - IBGE a não ser propôr uma viagem ainda maior para o destacado recenseador. Já não seria apenas uma área no interior. Assim, foi-lhe entregue 13 setores para que, sozinho, pudesse executar. A ajuda de custo foi dobrada, o tempo para a execução foi duplicado, o desafio foi 13 vezes maior. Só não foi maior que a área que ele deveria cobrir, pois, segundo o mapa, ele deveria recensear os rios TARUMÃ-AÇÚ, TARUMÃ-MIRIM, RIO NEGRO até à altura do TUPÉ; e por terra, todos os gigantescos ramais do PAU-ROSA e da COOPERATIVA com todos os seus ramais vicinais (afluentes) existentes. Conhecedor da área, ele sabia que seria humanamente impossível trabalhar tudo aquilo em apenas 30 dias, mas abraçou o desafio sem medo.
Desta forma, durante 30 intermináveis dias viajou pela orla desses rios sendo a "estrela do momento" para os ribeirinhos. Foram cafés-da-manhã divertidos; almoços pescados na hora com vários moradores; ofereciam-lhes (o barqueiro também) pernoites divertidos e jantares deliciosos; novas comunidades foram conhecidas; longas caminhadas foram feitas; inúmeros guias foram contratados para que ele não se perdesse na densa e linda floresta; a aventura foi completa ao ter que "lutar" contra diversos mosquitos de dia e de noite; ou ter que preparar a alimentação dentro do barco pequeno e à beira rio; tudo foi muito bom. Nunca pensou que dentro da floresta ele seria muito bem recebido por todos. Porém, a aventura teria seu registro maior com a reportagem do correspondente no Brasil do jornal dos EUA - The New York Times - Larry Houter.
O teor desta matéria vocês podem conferir no link abaixo.
Entretanto, apenas 12 áreas tinham sido concluídas e faltava uma. A maior de todas. Aquela que nem durante 1 ano ele sozinho terminaria. Com calma conseguiu convencer a gerência de que ele não conseguiria. Eles então deixaram a ÁREA 13 para ser executada por último. E assim o fizeram. Pela grandeza da área, o IBGE disponibilizou quase 30 recenseadores, 10 supervisores e diversos veículos para o último setor a ser recenseado no Amazonas. Dois dias foram necessários e uma preciosa ajuda do INCRA. Medo mesmo foi a derrapagem do veículo tipo toyota 4X4 rodando a 100 KM/H naquele ramal escorregadio. Nunca ele tinha sentido aquele frio na barriga. O bloco de formulários preenchidos assustava (pelo trabalho de revisar cada um), mas como a área 13 estava sob sua responsabilidade, os valores seriam todos de Dan. O alívio do término dos trabalhos veio acompanhado de um momento de lazer de toda a equipe em um riacho de águas geladas em um local que ele não saberia voltar lá. Foi muito bom.
Bom também foi quando começou a entrar dinheiro na sua conta bancária. Sabe aquela "vida mais independente"? Pois é! Durante 4 meses ganhou aproximados R$ 4.000.00. Deu sim para começar uma independência de vida. Terreno, construção de casa, móveis, foram algumas "coisinhas". O nosso real dinheiro era valorizado. Enfim, foram diversas aventuras em uma só: o primeiro emprego.
Rendeu até matéria em jornal internacionalmente conhecido.
Cobras e Escorpiões Contra o Censo
Por Larry Rohter
Publicado em: 28 out 2000
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